Futura Historiadora: Resenha #6 | E ai Eliz?

Futura Historiadora: Resenha #6

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Olá meninas e meninos, tudo bem?

O post de hoje é uma analise sobre a obra O Cortiço e analise das semelhanças com a obra Os Bestializados. Esse post abre o quadro Futura Historiadora, que temos aqui no blog. Agora estou no 5º semestre. Em breve farei novas publicações falando sobre o primeiro bimestre de 2017 e os desafios do TCC. 
Espero que vocês gostem do texto e recomendo a leitura individual de ambos os livros.



Análise do livro O Cortiço e relação com o livro Os Bestializados

Na introdução da obra Os Bestializados o autor se localiza de forma temporal no Rio de Janeiro, na transição do Império para a República e vai até o governo de Rodrigues Alves. Também na introdução o autor inicia um questionamento que irá ser abordado no desenvolver do livro, por qual motivo o povo, durante esse período histórico era considerado como um bestializado? Qual a razão para este pensamento? O título da obra em um primeiro momento nos faz pensar na passividade do povo brasileiro e a sua colocação diante da política, mas seria este o objetivo real do autor? Não, o grande objetivo que o autor coloca em sua obra e entender no recorte temporal do Império a República, quem era esse povo, como era o seu engajamento e prática diante a política. Já com analise ao nosso objeto de estudo a obra O Cortiço de Aluísio Azevedo identificamos que mostra a realidade do brasileiro recém chegado a República, as ideias do triunfo da democracia, o povo como cidadão, se vendo como uma nação. O livro aborda as pessoas de origem simples que construíram suas vidas na capital republicana, muitas vezes também resistentes a essas mudanças. Identificamos que O Cortiço tem uma figura naturalista ao abordar as características humanas. A trajetória do personagem João Romão, que faz de tudo para atingir um status elevado na sociedade em que vive, retrata a visão das relações sociais. A ambição do personagem não é condenada no livro, pois ele nada mais faz do que se aproveitar das oportunidades que a recém criada sociedade capitalista lhe proporciona, porem a vontade de crescer o faz explorar a companheira Bertoleza, companheira essa que é vista como uma mera máquina para a produção de seu capital. 

A obra O Cortiço nos leva a uma reflexão acerca do cotidiano popular do final do século XIX. As relações sociais que são construídas no sobrado e no cortiço são as diferenças sociais. O sobrado reúne a elite, as riquezas que o homem que possuí uma certa elevação social pode ter, do outro lado temos o cortiço reúne os miseráveis com todo o tipo de conduta. O cortiço seria os marginalizados perante a nova sociedade que ali crescia e também a fome de crescer. É notável que a obra é contemporânea as mudanças presentes em Os Bestializados, ambos relatam as mudanças sociais, os marginalizados pelo novo e crescente sistema capitalista. Em Os Bestializados assim como em O Cortiço podemos ressaltar as mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais que o Rio de Janeiro passou na transição da monarquia para a república. 

Na obra Os Bestializados enfatiza a expectativa de participação política pelo povo, mas como já adiantamos no princípio deste texto, não aconteceram como foi pregado. A massa da população foi calada no processo eleitoral. O autor traz relatos em que mostra a massa populacional excluída da política acaba sendo vista como apática e sem expressão por estrangeiros, porem o mesmo critica as afirmações acima, pois consideram nas exageradas, antes da independência e a partir da republica as manifestações populares ganharam corpo e se tornaram frequentes. Dessa forma podemos analisar que o romance O Cortiço de Aluísio Azevedo observa de forma científica e mostra fielmente a sociedade, com grande interesse na miséria e nobreza. Mas mesmo demonstrando os ideias, a ideologia e as relações sociais presentes no pais no século XIX, não podemos analisa-lo como um documento histórico pleno na época, mas não podemos descartar que ilustra a sociedade brasileira que acabara de ser introduzida no capitalismo.

Em analise a Os Bestializados o autor procura explicar o comportamento político do Rio, de um lado uma sociedade participativa em outras esferas sociais como a própria religião, e em contrapartida a indiferença pela ausência do governo na responsabilidade coletiva. Para o Autor o peso das tradições escravistas que viciaram a relação dos cidadãos e o governo, ao mesmo tempo que a elite visava manter a massa fora das ações políticas. Com esta narrativa utilizando a obra O Cortiço identificamos como já mencionamos, a natureza naturalista da obra, que era fazer crítica a realidade corrompida da sociedade do Rio de Janeiro. A obra demonstra em toda a sua trama as práticas do Brasil no século XIX, o princípio do capitalismo, o explorador que até então morava próximo ao explorado, o burguês de projeção social elevada em visão ao cortiço que vive em local com ar aristocrata, sublime e teme o crescimento do cortiço. O crescimento do cortiço seria o mesmo que a população tomar consciência de sua importância, da forma que estavam sendo negligenciados pela política e como a elite os colocava em escanteio na sociedade, perto o suficiente para manter sob o próprio domínio. 

O Cortiço mostra as diferenças sócias que continuam sendo narradas no Brasil, a desigualdade social, a exploração do mais fraco e a ambição dos mais afortunados, assim como em Os Bestializados o autor José Murilo de Carvalho nos mostra as características econômicas e políticas da população da capital da Republica nos primórdios do século XIX e a relação da população com a política.

Bibliografia

CARVALHO, José Murilo de. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo. Companhia das Letras, 1987.

AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo. Editora Martin Claret, 2007.

Escrito por: Elizane Almeida, todos os direitos reservados, não copie, não utilize este texto para fins acadêmicos. Plagio é crime!

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