Futura Historiadora: Resenha #5


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Olá pessoal tudo bem com vocês?
O post de hoje é uma resenha referente ao capítulo XVIII do livro O Príncipe do autor Maquiavel.
Em O Príncipe Maquiavel fez uma espécie de manual político com o que acreditava ser uma boa administração, para isso o soberano  deveria ter uma boa articulação política, ser rígido e ter muita sabedoria, esta obra é utilizada até hoje após mais de cinco séculos de sua criação. 


O Príncipe:
Capitulo XVIII

Quando seja louvável em um príncipe o manter a fé (...) e viver com integridade, e não com astúcia, todos compreendem, (...) alguns príncipes terem realizado grandes coisas a despeito de terem tido em pouca conta a fé da palavra dada, sabendo pela astúcia transformar a inteligência dos homens; no final conseguiram superar aqueles que se firmaram sobre a lealdade.
Deveis, (...) que existem dois modos de combater: um com as leis, o outro com a força. O primeiro é próprio do homem, o segundo, dos animais; mas, com o primeiro modo muitas vezes não é suficiente, convém recorrer ao segundo. (...) torna-se necessário saber bem empregar o animal e o homem. (...) (pág. 102)
(...) príncipes antigos foram confiados á educação do centauro Quirion. Isso não quer dizer outra coisa, o ter por preceptor um ser meio animal e meio homem, senão que um príncipe precisa saber usar uma e outra dessas naturezas: uma sem a outra não é durável.
Necessitando um príncipe, (...) saber bem empregar o animal, deve (...) tomar como modelos a raposa e o leão (...). É preciso, portanto, ser raposa para conhecer os laços e leão para aterrorizar os lobos. (...). Se todos os homens fossem bons, este preceito seria mau; mas, porque são maus e não observariam a sua fé a teu respeito, não há razão para que a cumpras para com eles. Jamais faltaram a um príncipe razões legítimas para justificar a sua quebra da palavra. (...) pode dá inúmeros exemplos modernos, (...) e aquele que, com mais perfeição, soube agir como a raposa, saiu-se melhor. Mas é necessário saber (...) disfarçar esta qualidade (...) (pág. 103)
(...) os homens e de tal forma cedem ás necessidades presentes, que aquele que engana sempre encontrará quem se deixe enganar.
Não quero deixar de apontar um (...) exemplo (...) Alexandre VI jamais fez outra coisa, (...) senão enganar os homens, sempre encontrando ocasião para assim poder agir. (...)
(...) um príncipe, (...) não é essencial possuir todas as qualidades (...) mas é bem necessário parecer possui-las. (...) ousarei dizer que, possuindo as e usando (...) elas são danosas, enquanto que, aparentemente possui-las, são úteis; (...) exemplo: parecer piedoso, fiel, humano, íntegro, religioso, e sê-lo realmente, (...) um príncipe novo, não pode praticar aquelas coisas pelas quais os homens são considerados bons, uma vez que, frequentemente, é obrigado, para manter o Estado, (...) (pág. 104)
(...) Um príncipe, (...) deve ter muito cuidado em não deixar escapar de sua boca nada que não seja repleto das cinco qualidades (...) mencionadas, para parecer, ao vê-lo e ouvi-lo, todo piedade, todo fé, todo integridade, todo humanidade, todo religioso; (...) os homens em geral julgam (...) pelos olhos do que pelas mãos, (...) todos cabe ver mas poucos são capazes de sentir. Todos veem o que tu aparentas, poucos sentem aquilo que tu és; (...) Procure, pois, um príncipe, vencer e manter o Estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos louvados, porque o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados, e no mundo (...) poucos não podem existir quando os muitos tem onde se apoiar. (pág. 105)
Algum príncipe dos tempos atuais, que não convém nomear, não prega senão a paz e fé. (...) (pág. 106)


O Príncipe:
Analise

O Príncipe foi escrito por Niccolò Machiavelli entre 1513 e 1516. Maquiavel vivia na Itália decadente pela Revolução das cidades-estados, via o pais sendo fragmentado em pequenos Estados e sofria o risco de perder a independência nacional, envolto nesse contexto surgiu o cenário ideal para a elaboração da obra O Príncipe. 
Dentro deste contexto Maquiavel analisou como a Itália poderia ser reconstruída como um Estado moderno e nas responsabilidades do príncipe em unir politicamente a Itália. O Príncipe é uma obra que tem mais de cinco séculos, porem continua fazendo parte do contexto atual da sociedade moderna, aborda questões como ética e “moral” do governante perante a sociedade, um exemplo claro é quando o autor se refere a bondade, fidelidade, humanidade, dignidade e a religiosidade do governante, o mesmo não necessita ter todas as cinco principais qualidades, mas deve transparecer possuir e exercer bem todas as cinco, de todas as qualidade a principal deve ser a religiosidade.
A obra se desenvolve dentro da linguagem escrita culta voltada aos novos príncipes, uma linguagem voltada a concretização de um poder absoluto e inabalável, o que representa a época em que foi escrita, pois a Itália passava pela fragmentação do pais, mas este contexto não o torna mais difícil a compreensão, o texto transmite a intenção inicial voltada ao contexto histórico da Itália, a necessidade de passar para o novo príncipe uma espécie de manual com a intenção de direciona lo a conservar o seu poder atual e como garantir governar o Estado, para isso o novo príncipe precisa compreender e atuar com sutileza, mas ao mesmo tempo necessita saber usar a seu favor a astúcia e a crueldade, falando em poucas palavras o livro é um manual político, que demonstra como o governante deve chegar ao poder e quais artifícios teve ter para se manter no poder

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA:

MAQUIAVEL, Niccolò Machiavelli. O Príncioe. Versão para eBook. Ed. Ridendo Castigat Mores 2004. Cap. XVIII  P. 102 – 106.

Espero que vocês tenham gostado, esta análise foi feita para o trabalho do primeiro bimestre do segundo semestre de 2016 para a disciplina da História Moderna II. O Príncipe é uma obra de mais de cinco séculos, porem continua atual, passa longe de ser obsoleta, podemos ver que os governantes e grandes influenciadores da politica utilizam de seus "ensinamentos" como forma de articular sua própria imagem, como dizem, "o lobo na pelo do cordeiro", após ler a obra pude compreender e analisar de forma mais crítica a forma como a ideia de imagem eleitoral é construída, analisem: quantos políticos utilizam o slogan do bondoso, fiel, humano, digno e religioso?, quantos gesticulam com um ar calmo e firme? aquela velha ideia do ideal, isto acontece, pois conforme o autor "os homens em geral julgam pelos olhos do que pelas mãos, todos cabe ver mas poucos são capazes de sentir. Todos veem o que tu aparentas, poucos sentem aquilo que tu és" ou seja o mundo segundo o autor é movido pelas aparências, aparente ser o melhor que todos comprarão esta imagem.

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2 comentários: