Futura Historiadora: Resenha #4

Imagem| Google

Olá meninas e meninos tudo bem?
O bimestre letivo esta no fim, inclusive estou na semana de provas da faculdade e ontem foi a primeira. Prova da matéria de História do Brasil II, para esta matéria o trabalho em dupla foi sobre o livro da Historiadora Brasileira Sandra Jatahy Pesavento, A Revolução Farroupilha, uma nova mdelagem do pensamento da historiografia brasileira, sendo assim resolvi dividir com vocês a minha visão do livro e claro um pouco mais sobre a história do sul do pais, espero que vocês gostem.

Resenha A Revolução Farroupilha

    A revolução Farroupilha é a obra autora Sandra Jatahy Pesavento, historiadora, escritora e poetisa Brasileira. Pesavento trabalhou a visão econômica e a formação de classe no Rio Grande do Sul. Em sua obra a autora desvenda o símbolo de bravura do povo rio-grandense e o contexto histórico vivido durante a revolução. A revolução farroupilha foi o acontecimento mais glorioso e o mais lembrado da história do estado do Rio Grande do Sul, para entender o momento histórico a qual a província sulina teve condições para enfrentar e barganhar a corte, precisamos analisar com cautela os indícios historiográficos. Neste livro compreendemos o episódio e podemos analisar de forma sucinta, rompendo com as visões gloriosas que caracterizaram e perduraram o episódio durante parte da historiografia Brasileira. 
    A autora inicia o livro com os primórdios da colonização no estado do Rio Grande do Sul. O estado teve dificuldade para ser colonizado, isso graças a pouca diversidade, já no século XVII foi palco de enfrentamentos entre os bandeirantes e os jesuítas que disputavam entre si a posse da mão de obra indígena da região. Neste período houve a escassez da mão de obra escrava negra em várias partes do Brasil que não tinha a investida Holandesa, São Paulo se tornou uma área especializada na venda de escravos para a área açucareira do país, assim foram esgotando os indígenas nas aldeias mais próximas, as bandeiras se lançaram contra os Jesuítas. Uma vez atacados pelos bandeirantes os jesuítas fugiram das investidas Paulistas descendo os rios Paraná e Uruguai, nessa travessia penetraram solo rio-grandense em 1626. Os Jesuítas se estabeleceram na região e aprisionaram outros indígenas. As missões Jesuítas sofreram diversos ataques dos bandeirantes, a escassez da mão de obra escrava negra fazia com que a mão de obra indígena fosse valiosa, em 1640 foi registrado o final das batalhas com o resultado os jesuítas abandonaram a região rio-grandense. Isso tudo aconteceu por conta do fim do domínio espanhol, desta forma os portugueses conseguiram expulsar os holandeses da África restabelecendo o tráfico negreiro em todo país, com a volta do tráfico negreiro não era preciso a caça do indígena, sua força de trabalho não era mais tão valiosa como foi anteriormente. Do outro lado os jesuítas levaram consigo os índios para a outra margem no Uruguai, abandonando o território rio-grandense, esse abandono do território pelos jesuítas deixou em solo sulino o gado que criavam. O abandono do gado de corte a céu aberto com o tempo fez a se multiplicar o rebanho formando uma imensa reserva de gado, o gado ficou conhecido como “Vacaria del Mar”. 
    Esse abandono e a expansão do gado por todo território rio-grandense deu por origem o fundamento econômico básico da futura apropriação das terras que antes eram pouco produtivas, a apropriação destas terras se daria por passagem do século XVII para o XVIII e o gado selvagem seria chamado como “xucro” ou até mesmo “chimarrão”. Vendo desta forma podemos compreender as vastas cabeças de gado selvagem abriu espaço para o interesse na exploração desta região pouco interessante até então, mas não era apenas o gato que se tornou interessante para o processo de expansão rumo ao sul, mas também o comércio ilícito no Prata, com o tratado tendo a exclusividade comercial era estabelecido a preocupação de eliminar os concorrentes e preservar o mercado fechado, mas o contrabando buscava meios de desviar essa acumulação para os concorrentes. 
    No século XVIII o Rio Grande do Sul se tornou atrativo com o seu grandioso rebanho de gado de corte e também uma função política militar que preservava o contrabando no Prata. Os senhores rio-grandenses tiveram a importância militar do estancieiro-soldado e com suas tropas fez com que a Coroa permitisse uma certa autonomia do poder local, dessa forma, a apropriação econômica da terra foi acompanhando pela apropriação militar. No fim do século XVIII, o enriquecimento dos grandes senhores sulinos proporcionado pelo charque contribuiu para agravar os pontos de atrito existentes entre a camada senhorial local e os representantes da Coroa. A partir destes atritos clãs familiares enriquecidos passaram a pressionar o governo no sentido de obter cada vez mais poder e autoridade e vantagens. O comércio do gado para a charque e o comércio do couro trouxe problemas para a região sulina, a devastação do gado, para remediar os ocorridos foi necessário ter o cuidado com o gado, assim como repor e proteger o gado dos roubos, o gado era guardado por peões armados. A charque era enviada para as minas, mas no final do século XVIII com a decadência da mineração retraiu a demanda de gado, contudo não retraiu a economia sulina, uma vez que esta região tinha o comercio do trigo e a charque. A produção do trigo tem origem com a vinda dos colonos açorianos que a Coroa enviou para o Rio Grande do Sul com o fim do povoamento das terras conquistadas pelos castelhanos, mas foi com a charque que alavancou a economia sulina, a carne salgada era produzida no Rio Grande do Sul, porem apenas no fim do século XVIII que passou a ser produzido em escala comercial, exportando para o restante do Brasil, este produto era destinado a alimentação dos escravos. Nos momentos finais do domínio colonial português no Brasil, começaram, assim, a surgir áreas de atrito cada vez maiores entre os representantes da Coroa na região e a camada senhorial sulina, enriquecida pela pecuária em ascensão, cada vez mais os senhores sulinos ansiavam por mais vantagens e benefícios.
    Sendo assim, ressaltamos que através da criação de gado e graças a isso a produção de charque, o Rio Grande do Sul conseguiu se integrar na economia central de exportação, porem primeiramente de forma subsidiária, até então os senhores sulinos não tinham acumulo de riquezas como os senhores açucareiros do nordeste do país, pois neste momento o foco era em abastecer o mercado interno. Com a exportação o estado passou a possuir riqueza econômica, deixando de ser visto como ponto estratégico da defesa do contrabando no Prata, mas como o grande produtor de charque, que futuramente seria a base alimentar dos escravos após a desvalorização da mineração. O controle do gado era feito pelos peões, as famílias rio-grandenses trabalhavam junto aos peões e escravos, todos da família trabalhavam para garantir o abastecimento da casa e a segurança do gado, porém a autora nos alerta sobre a antiga visão do cidadão sulino, homem desbravador e simples, visão que esteve presente durante parte da historiografia positivista brasileira, mas hoje vem tendo uma nova análise que vai além da visão positivista do homem simples, mas uma análise do ambiente vivido pelos rio-grandenses e o contexto histórico. Em análise compreendemos que mesmo o dono das terras trabalhando lado a lado com peão havia um abismo social entre ambos, o senhor continua sendo quem passava as ordens aos seus subordinados, mesmo tendo trabalho em conjunto ainda assim existia uma relação servil entre senhor x escravo. Com base a análise ao texto podemos compreender que a liderança farroupilha de 1835 era composta por poder militar e enriquecimento baseado na exportação do charque, gado de corte, e antes de tudo os seus próprios interesses pessoais, esse comportamento intensificou-se depois da publicação dos decretos do governo farrapo, em 1836 foi confiscada as propriedades daqueles que se opuseram à revolução, a liderança farrapa estava voltada para a expansão e guarda segura de seus próprios escravos, terras e gado, além do anseio por ter privilégios que não eram fornecidos ao sul.
    Os líderes farrapos estavam voltados para a expansão e guarda segura de seus próprios escravos, terras e gado, em detrimento do grande fim de estabelecer um estado republicano independente. A revolta farroupilha coloca em cena uma questão, o ideário dos rebeldes, nesse sentido a elite revolucionária gaúcha realizou uma seleção de ideias liberais, adaptando aos interesses locais, tais idéias aplicadas pela elite social surgidas do contexto europeu representavam uma justificativa racional para o poder burguês que se expandia. Em 28 de fevereiro de 1845 foi assinado a Paz de Ponche Verde, onde os rio-grandenses não seriam completamente derrotados, mas teriam uma “paz honrosa”.
    Podemos concluir com esta resenha que a historiografia oficial/ tradicional utilizou do positivismo para exaltar e aclamar os posseiros ou senhores de terras sulinas como os grandes heróis do Rio Grande do Sul, homens honrosos desbravadores que lutaram contra o poder central para ter maiores benefícios e direitos, uma vez que eram os responsáveis pela guarda das fronteiras e os agropecuários da charge, visto deste ângulo é possível notar a exaltação que temos do sul, mas através da autora Pesavento podemos compreender que os senhores sulinos tinham o principal interesse em abranger o seu próprio poder e utilizou de pensamentos liberais para justificar o ocorrido, assim como a justificativa da desapropriação das terras das famílias que não abraçaram a causa.


Bibliografia

Sandra Jatahy Pesavento: ”A Revolução Farroupilha”. Ed. Brasiliense: São Paulo, 3° edição, 2003.

http://lelivros.online/book/download-a-revolucao-farroupilha-sandra-jatahy-pesavento-em-epub-mobi-e-pdf/

Share this:

Deixeo seu comentário

    Comentários Blogger

0 comentários:

Postar um comentário