Futura Historiadora: Resenha #3

Imagem| Google

Olá amigos tudo bem? Faz um tempo que não posto nada no blog, mas hoje depois de uma série de acontecimentos (que logo faço um post para contar o que aconteceu nos últimos meses) estou aqui para fazer uma nova resenha, desta vez sobre o livro Desclassificados do ouro: A pobreza mineira no século XVIII, mais precisamente do capítulo IV, Os protagonistas da miséria, espero que vocês gostem da resenha, este é mais um trabalho para o curso de história, desta vez para a matéria de História do Brasil I.

Continuem lendo!

     Em Os protagonistas da miséria é o quarto e último capítulo do livro, Desclassificados do ouro: A pobreza mineira no século XVIII, a autora Laura de Melo e Souza começa com uma narrativa sobre o senso dos anos de 1716 e mostra a realidade da população da cidade de Minas Gerais, onde viu se que, 22,09% de brancos, 25,67% de pardos e 52,22 de negros, ou seja uma população onde os mestiços e os negros somavam 77,9%. (p. 204). Uma comunidade gigante para o início do século XVIII, população essa que teria ultrapassado a marca de 400 mil habitantes, no século XIX. A população que habitava Minas no século XVIII vivia basicamente da mineração, por mais em sua maioria fossem forros, homens livres, pardos, ex escravos, sofriam por esta as margens do Brasil, eram marginalizados, viviam de forma precária, quase desumana, isso por fazerem parte dos esquecidos, a população que teve o sonho da caça ao ouro, mas nunca saíram da margem da pobreza, através da leitura clara e objetiva da autora também podemos compreender que mesmo este sendo um cenário de meados do século XVIII perpetua até hoje os que estão as margens da população brasileira, os patrões, os donos continuam os mesmos, continuam apoderando se do que pertence a população brasileira, enquanto isso os que foram marginalizados no passado continuam sendo açoitados, não com os objetos do passado, mas com a carência, necessidade, e submissão aos grandes proprietários dos dias atuais.
     Em Os protagonistas da miséria podemos perceber de forma clara a problematização que a autora faz sobre os marginalizados, traça o perfil social da população mineira, e nos mostra os problemas sociais envoltos na sociedade da época, Laura de Melo mostra os relatos de prostituição que se tornou comum na sociedade mineira da época, mas não apenas a prostituição, mas a bigamia também, assim como o casamento de corpos sem a benção da igreja e o casamento entre brancos e negros, pardos, forros, algo repudiado na época, quem sofria mais eram as mulheres, pois além de não ter uma vida das melhores, viviam em pobreza quase que absoluta, acabavam sendo denunciadas e obrigadas a saírem de suas próprias casas, mulheres estas  foram marginalizadas pela sociedade e a prostituição ou a prostituição das filhas acabava sendo a forma de garantir o pouco para a sobrevivência, como conta a autora:
(...)“ Cristina, preta angola moradora no Morro costumava entregar sua filha  Leandra, parda forra, para alguns homens a “deflorarem”, levando-a pessoalmente ás suas casas. Indo para este fim procurar a testemunha, este lhe deu uma esmola e a aconselhou que casasse Leandra, “para o que lhe daria maior esmola, e muita gente concorreria com as suas, e lhe respondeu a dia Cristina que casando sua filha não ganhava coisa alguma, e que andando naquela vida ganharia doblas”. (...) (p. 221 – 222)

A prostituição e o casamento “amancebado” tornaram a realidade da grande parcela da população mineira do século XVIII, a falta visão de liberdade, afinal os homens, mulheres, crianças eram libertos ou forros, mas continuavam escravos do Estado opressor, Estado que legitimava o poder dos opressores, Estado que não olhava as margens da sociedade, fechava os olhos diante as mazelas, este capitulo por si só fala da realidade dos mineradores de Minas Gerais do século XVIII, mas ainda hoje podemos ver a mesma realidade, a população humilde lado a lado com quem os escraviza, como dito anteriormente, não escravidão para açoitar, mas escravidão da servidão, este texto é de estrema importância para os que desejam conhecer a história das margens que viveram em Minas, através dela também podemos analisar os problemas apresentados com a relação de poder, entre Estado, a visão de uma população pacata que se sujeita a submissão, e os que detém o poder.
A visão da autora da precariedade vivida pela grande parte da população mineira é demonstrada em todos os aspectos da vida cotidiana, não apenas na promiscuidade, na falta de meios para sobreviver, mesmo estando em um local de mineração, onde na teoria teriam muitos minérios preciosos, mas também nas roupas e na moradia, os registros de viagens mostram as queixas as autoridades da população que ali viviam, também haviam os registros eclesiásticos, nestes parte da população era retratada como indivíduos promíscuos devido à falta de casamento legal e também aos casos de bigamia e prostituição, eram considerados propensos a ter desvios morais, a autora não foi passiva a tais documentos, fez interpretações críticas, pois muitos foram acusados injustamente pela igreja, assim como as mulheres que eram casadas de corpo com o esposo, porem por não ter a benção da igreja (diversos fatores contribuíam, como o casamento entre forro, brancos, crioulas, negras libertas, não era aceito de bons olhos, mesmo sendo libertos não eram vistos como livres) nos casos de denúncias poderiam ser expulsas de casa, e entre outras injustiças, para a autora as acusações eclesiásticas não podem ser consideradas como absolutas. 
De forma sabia a autora deu vida aos homens e mulheres, mostrando seu cotidiano e heterogeneidade da camada desclassificada das Minas Gerais, a caça do ouro que levou uma maça a comunidade e consigo os sonhos e a realidade pobre dos que foram marginalizados.



REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA:

SOUZA, Laura de Mello e. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século XVIII. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2004. Cap. IV: Os protagonistas da miséria. P. 203 – 271.

Espero que tenham gostado da resenha, esta também é uma indicação de livro, não apenas para quem estuda História, ou a quem esta se especializando em Brasil, mas uma leitura sabia dos acontecimentos do século XVIII no estado de Minas e refletir também, muitos dos ocorridos perpetuam até hoje em nossa sociedade e para fazer valer a nossa vontade e mudar a realidade na qual vivemos necessitamos de conhecer nosso passado, este texto também serve como referência ao ocorrido em Mariana, continua por lá, e ainda hoje não temos uma legislação (temos legislação para a mineração, porem além de antiga não tem a fiscalização necessária que deveria ter) empresas de minério, nem os impactos ambientais que o meio ambiente sofre, talvez agora após a destruição de todo um eco sistema a sociedade se mobilize, e cobre das autoridades a punição aos responsáveis e a mudança nas regras e fiscalização, espero que não precisemos ver outras tragédias para lembrar o quanto a fiscalização é necessária, afinal tudo seria diferente se houvesse cuidado.

Share this:

JOIN CONVERSATION

12 comentários:

  1. História não é meu forte, mas a resenha ficou ótima.
    Bjs

    ResponderExcluir
  2. Se for pensar bem a realidade não mudou muito né?
    Amo esses textos que vc publica Eliz, cultura para todos!
    Bjs ♥

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Renata, realmente o mundo não mudou muito, continuamos vendo as mesmas coisas até hoje. *----*
      Volte sempre!

      Excluir
  3. Que resenha maravilhosa Eliz! Vc é estudante de História? Eu conheço Ouro Preto. Diamantina e Mariana! E visitei a mina de Chico Rei em Ouro Preto! É triste constatar que a "escravidão" pelo Estado e empresas que continuam a descer o açoite . Meus avós maternos eram mineiros e a minha avó negra. Não mudou o cenário e nem a história ! A condição da mulher negra no século XVIII infelizmente mesmo sendo forra era como vc citou, e vc me fez lembrar agora o livro "Casa Grande e Senzala " de Gilberto Freire. O papel da mulher negra retrato no livro era só um: servi ao senhor ! Bjs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Lisa, sim sou estudante de História, dessa forma mesmo, a mulher negra, forra, ex escrava, mulata era o da servidão. Infelizmente eu ainda não conheci, mas tenho muita vontade de conhecer Ouro Preto.
      Beijos, volte sempre!

      Excluir
  4. Nossa como as mulheres sofriam naquela época, já li muitas histórias que falam sobre esse sofrimento mas esse trecho do livro que vc colocou diz com detalhes como a situação era terrível a ponto de uma mãe ter que ''vender'' sua filha ... Eu sempre fico chocada quando leio essas coisas, como fico chocada também por nos dias de hoje em muitos lugares essas coisas ainda acontecerem .. Triste !!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito triste mesmo, saber que ainda hoje esses fatos se repetem.
      Volte sempre, beijos!

      Excluir
  5. Adoro história. Parabéns por tanto conhecimento e dividir conosco. Sucesso!!! bjks
    WalMontani.com

    ResponderExcluir
  6. O bom da história é conhecer os fatos marcantes da época que muitas vezes nem imaginamos, amei a resenha.

    Beijos
    www.mariaulhoa.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exato Maria, é conhecer a realidade dos menos favoráveis e ver que ainda hoje temos a mesma realidade.
      Volte sempre!

      Excluir