Futura Históriadora: Resenha

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Olá meninas tudo bem?
Faz tempo que não posto nada no blog, mas logo vou trazer algumas receitinhas pros cabelos e pro inverno também. Estou no fechamento do semestre, muita correria pra entrega dos trabalhos, prova e a ansiedade pelos resultados. Nesses últimos dias fiz uma resenha dos dois primeiros capítulos do livro "Manifesto do Partido Comunista" de 1848 de Marx e Engels pra faculdade, então resolvi dividir com vocês também.

Continuem lendo!

O Manifesto do Partido Comunista foi escrito por Karl Marx e Friedrich Engels, fundadores do Socialismo Cientifico, onde expressam os propósitos da Liga dos Comunistas, neste texto os autores defendiam a queda da burguesia e a soberania do proletariado, o fim sãs classes sociais, o fim das desigualdades sociais, a fundação de uma nova ordem onde não exista classe e sem o uso da propriedade privada. O manifesto é a analise das classes sociais e a vontade de unir todos os operários do mundo por uma única causa, a destruição do atual sistema e a criação do novo sistema social sem desigualdades. O manifesto tem uma estrutura simples, é composto por três parágrafos e uma breve conclusão, o livro foi redigido para atingir a grande massa de forma imediata, porem acabou atingindo, mas não de forma imediata. Para Hobsbawm o manifesto apesar de ser impresso em diversas línguas como inglês, italiano, holandês e entre outras, inicialmente obteve o maior significado e importância na Alemanha.

 [...] o escrito político individual mais influente desde a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da Revolução Francesa. Por casualidade, ele ganhou as ruas uma semana ou
duas antes da eclosão das revoluções de 1848, que, como um incêndio florestal, se alastraram de Paris para todo o continente europeu. Embora sua perspectiva fosse claramente internacional — a primeira edição anunciava, ainda que com expectativas equivocadas, a iminente publicação do Manifesto em inglês, francês, italiano, holandês e dinamarquês —, seu impacto inicial se deu exclusivamente na Alemanha.  (
HOBSBAWM; Eric J: “SOBRE HISTÓRIA”. ed. Companhia de Bolso 1ª reimpressão 2014, pág. 381)


Antes de iniciar o dialogo sobre o livro em si vale a pena citar a introdução em que Karl Marx e Friedrich Engels expõem de forma sucinta o modo como, segundo eles, o comunismo é encarado na Europa na metade do século XIX. Trata se do surgimento do comunismo e como o novo modelo político veio assombrar a burguesia europeia, o manifesto trata intimamente com o que conhecemos como o burguês e o proletariado.

Por burguesia entende-se a classe dos capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção social que empregam o trabalho assalariado. Por proletariado, a classe de assalariados modernos que, não tendo meios próprios de produção, são obrigados a vender sua força de trabalho para sobreviverem. (Nota de F. Engels à edição inglesa de 1888. Pág. 26)


I. BURGUESES E PROLETÁRIOS

Os autores iniciam o manifesto demonstrando que para eles o desenvolvimento da história se deu através das lutas das classes, o que torna a grande diferença é a forma com a burguesia transforma a sociedade em duas classes antagônicas sendo elas a burguesia e o proletariado. A burguesia nasceu através dos muros dos burgos da idade média ao longo do desenvolvimento político e de revoluções tendo os modos de produção e troca. Quando a burguesia chegou o poder, desenvolveu de forma acelerada nunca vista antes durante toda a história da humanidade, transformando as sociedades conquistadas a sua imagem e semelhança, banalizando as relações humanas, reduzindo as a meras relações monetárias e colocando em seu lugar a constante busca pelo lucro.

A burguesia despojou de sua auréola toda a ocupação até então considerada honrada e encarada com respeito. Converteu o médico, o jurista, o padre, o poeta, o homem da ciência em trabalhadores assalariados.
A burguesia rasgou o véu sentimental da família, reduzindo as relações familiares a meras relações monetárias. [...] A necessidade de um mercado constantemente em expansão impele a burguesia a invadir todo o globo. Necessita estabelecer-se em toda parte, explorar em toda parte, criar vínculos em toda parte. (MARX; Karl & ENGELS; Frieddrich: “MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA”. Ed. Instituto José Luís e Rosa Sundermann. 2003. pág. 28-29)

 

Para que a burguesia possa se desenvolver cada vez mais, é necessário os mercados, apenas dessa forma é possível que se alastre por todo mundo, criando a necessidade nos mais diversos países, anteriormente estavam satisfeitos, mas agora vê a possibilidade do mercado mundial dos produtos  e da cultura que pertence ao mundo. Assim a burguesia alastra nos quatro cantos do mundo, trazendo consigo seus diversos produtos, para isso cria se os mais diversos meios de transporte e a comunicação para enriquecer inda mais a burguesia.
A burguesia com pouco mais de cem anos criou mais do que as civilizações antigas poderiam imaginar em um dia criar, a burguesia surgiu dentro sistema feudal, onde sua estrutura era incompatível com o desenvolvimento da produção. “Vemos então que os meios de produção e de troca sobre cuja base se ergue a burguesia eram originários da sociedade feudal.” (pág. 30)
Para Marx e Engels a sociedade desenvolveu-se de tal maneira que esta descontrolada, abrindo espaço para o surgimento de diversas crises, entre elas uma em especial o novo tipo de crise, a crise da superprodução, sua única forma de ser resolvida é pela destruição das forças produtivas ou pela aquisição de novos mercados e exploração mais intensa. Com o surgimento da burguesia, surge também uma nova classe social, o proletariado. A atual classe social, chamada de proletariado precisa vender-se diariamente como se fossem mercadorias, com o desenvolvimento e o uso das maquinas o trabalho se torna entediante e simples para o operário, que passa a se tornar apenas mais uma peça dentro da máquina, tornando o mais rápido e mais lucrativo para o burguês, seguindo essa lógica, o burguês passa a pagar cada vez menos para o operário por desempenhar uma função de fácil entendimento. Ainda seguindo a lógica de quanto mais simples menos se paga, o proletário passa a ser amontoado em fábricas de forma militar, forçando- o a deixar no esquecimento o artesão e levando á frente o surgimento do trabalhador que ingressa nas fileiras de forma organizada na indústria.
O proletário passa a se organizar, e fazer-se ouvido pela burguesia, unindo-se contra a burguesia, fazendo reivindicações, algumas das vezes acorrem triunfos, mas o verdadeiro êxito é a união do proletariado, com o tempo passa a organiza-se em classe, em partidos políticos. A classe dos proletários é a única que combate a burguesia, de forma verdadeira e revolucionária. Diferente das demais classes, que no passado almejavam alcançar o poder sobre as demais classes, o proletariado não pode se apropriar das forças produtivas sem extinguir os modos de apropriação, este deve destruir todas as garantias da propriedade privada.

Mas a propriedade privada atual, a propriedade burguesa, é a expressão final do sistema de produção e apropriação que é baseado em antagonismos de classes, na exploração de muitos por poucos. Nesse sentido, a teoria dos comunistas pode ser resumida nessa frase: abolição da propriedade privada. [...] (MARX; Karl & ENGELS; Frieddrich: “MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA”. Ed. Instituto José Luís e Rosa Sundermann. 2003. pág. 39)

A união do proletariado deve derrubar a burguesia, sendo primeiramente em seu próprio país e logo depois o mundo, pois a burguesia uma vez que não assegura a subsistência da classe a alimenta “[...] produz principalmente são seus próprios coveiros” (pag. 37), sendo assim não tem condições de continuar a ser a classe dominante.


II. PROLETÁRIOS E COMUNISTAS

No capítulo II Marx e Engels mostram as relações entre os proletários e os comunistas, para mostrar esta relação, acabam entrando em atrito com os outros partidos operários da época, pois se apresentavam como o único partido que realmente poderia levantar o proletariado e lava-lo como classe, derrubando a supremacia burguesa, isto, pois o comunismo não é algo imposto a grande massa, mas sim algo que emana das necessidades que a massa tem de se libertar da burguesia. O comunismo para os autores resume-se a abolição da propriedade privada, mas não todo o tipo de propriedade, mas a propriedade pertencente à burguesia, esta que utiliza para a exploração do trabalhão assalariado.
Marx e Engels acreditavam que com a extinção da propriedade privada e pela apropriação do proletariado levaria a sociedade a outro patamar de desenvolvimento, para sustentar tal argumento de expropriação, mostram como a propriedade que tantos burgueses defendem como justa esta centralizada em poucas mãos e nunca irá abranger a maioridade da população.

Horrorizai-vos porque queremos abolir a propriedade privada. Mas, em nossa sociedade, a propriedade privada já foi abolida para nove décimos da população; se ela existe 41 para alguns poucos é precisamente porque não existe para esses nove décimos. Acusai-nos, portanto, de procurar destruir uma forma de propriedade cuja condição de existência é a abolição de qualquer propriedade para a imensa maioria da sociedade. Em suma, acusai-nos de abolir a vossa propriedade. Pois bem, é exatamente isso que temos em mente. [...] (MARX; Karl & ENGELS; Frieddrich: “MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA”. Ed. Instituto José Luís e Rosa Sundermann. 2003. pág. 40-41)

Os autores tentam mostrar a sociedade que o fim da burguesia não é o fim da humanidade, para sustentar seus argumentos usa-se de assuntos como, a propriedade propriamente dita, cultura, a forma com que a cultura passa a se tornar global, a relação com a família, que passa a ser meramente monetária, onde não se tem tempo para gozar das alegrias proporcionadas pelas pequenas coisas, da educação muitas vezes padronizada para atender as expectativas do trabalho, das mulheres com suas duplas ou triplas jornadas, mas deixando sempre claro que a burguesia quando se refere à sociedade como um todo, esta se referindo a sim próprio, aos seus ideais, mostrando que o proletariado não deve se deixar levar pelos apelos destorcidos e egoístas da burguesia, sendo assim a primeira fase da revolução do proletariado constitui-se na transformação em classe, após a conquista deve por em pratica dez medidas que visam arrancar o capital das mãos da burguesia e transformar todo o modo de produção, este é o período é determinado como socialismo. Com o passar do tempo extinguirá o antagonismo entre as classes e a produção será feita de forma igualitária entre a população, o estado não será mais necessário. Segundo Marx e Engels, este será o momento em que o mundo chegará ao comunismo e a sociedade passará a ser livre, continuando o desenvolvimento, porem sem a desigualdade em que vivemos nos tempos atuais, sem a diferença de classe e o poder retido por poucos.

BIBLIOGRAFIA

http://www.pstu.org.br/sites/default/files/biblioteca/marx_engels_manifesto.pdf
HOBSBAWM; Eric J: “SOBRE HISTÓRIA”. Ed. Companhia de Bolso 1ª reimpressão 2014

Espero que tenham gostado, deixem nos comentários a opinião de vocês.

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